domingo, abril 25, 2004

Liberdade! Liberdade! Liberdade!

Passam trinta anos do concretizar de um sonho antigo de uma Nação. Era madrugada do dia 25 de Abril de 1974, quando o nosso País recomeçou…
Portugal vivia num estado calamitoso. A guerra colonial destruía, dia a dia, a vida de imensos jovens, os portugueses do futuro. A Nação perdia, numa batalha que nem nossa era, valores incalculáveis dos diversos ramos de desenvolvimento.
Este País era uma autêntica prisão. Opinião?! Ninguém tinha opinião. Salazar mandava, o português obedecia, e quem não se calava ia para a cadeia. O aparelho institucional inflexível, fechado e conservador e as exigências resultantes do desenvolvimento industrial contextualizados numa situação de dependência em relação à Europa, bem como a expressão ideológica autoritária e nacional-colonialista e as aspirações pluralistas e anti-colonialistas desencadeadas pela nova dinâmica sócio-cultural característica dos anos sessenta, foram a ultima gota de água de um País a transbordar de insatisfação.
Portugal ansiava por mudança. O desejo de conquistar a liberdade e de vencer o regime fascista enchia os corações democratas. Tinha chegado, então, o grande momento. Foi Otelo Saraiva de Carvalho que concebeu o plano da vitória, tendo preparado tudo com o maior rigor, envolvendo unidades militares de Norte a Sul do País. A ansiedade crescia e o sonho que perdurava há décadas começava, realmente, a concretizar-se. Foi Paulo de Carvalho com E Depois do Adeus e José Afonso com Grândola, Vila Morena, que deram o sinal de partida para o começo de uma batalha pacífica por um País. Partiram, então, as tropas revolucionárias do MFA (Movimento das Forças Armadas) com a esperança e vontade de salvar Portugal.
Brotava, assim, um dos mais emocionantes e maravilhosos momentos da história desta Nação. Deus queria, os portugueses sonhavam, portanto, a obra tinha mesmo que nascer. Iniciou-se, desta forma, a conquista de pontos estratégicos, como a RTP, o Rádio Clube Português, a Emissora Nacional, o Quartel-General da Região Militar de Lisboa e o Aeroporto da Portela. Vinda de Santarém, uma segunda coluna de militares revolucionários da Escola Prática de Cavalaria, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, priva autenticamente o acesso aos ministérios, à Rádio Marconi e ao Banco de Portugal, isolando a Praça do Comércio em Lisboa. A brilhante actuação destes militares fez com que a resistência, sentindo-se impotente, se juntasse aos homens da revolução. O último passo deste brilhante plano é dado quando Salgueiro Maia divide os seus militares em dois grupos. Um deles, formado pelos militares inicialmente fiéis ao regime, ocupou posições junto ao Quartel-General da Legião Portuguesa, enquanto que o outro, formado pelos militares da Escola Prática de Cavalaria, segue para o quartel do Comando-Geral da GNR, no Carmo, com o desejo de conseguir a rendição de Marcelo Caetano. O MFA designou como interlocutor o general Spínola que, depois de várias tentativas, conseguiu, finalmente, a rendição do Presidente do Conselho, Marcelo Caetano.
Era, então, altura para festejar um feito enorme da vontade portuguesa. A notícia começou-se a alastrar por todo o País, sendo recebida, sempre, com uma enorme alegria pelos democratas portugueses. A imagem de marca da revolução, o cravo, começou a aparecer, dita a lenda, devido a uma anónima florista do Rossio que começou a oferecer as flores que tinha aos soldados em festa que, ao receberem, colocavam os cravos no cano da arma. A imagem de marca difundiu-se e hoje, esta que é a Revolução da Liberdade é também a Revolução dos Cravos.
Vivemos, hoje, os 30 anos de uma Revolução que fez renascer uma pátria. O desejo de décadas, ao tornar-se um sonho, viveu a realidade. Fruto deste movimento, os Açores conseguiram, finalmente, a autonomia que tanto ansiavam. O suor de uma revolução pacífica transformou-se em lágrimas de alegria e os murmúrios de uma revolução silenciosa transmutaram-se em evocações de “Liberdade, Liberdade, Liberdade!!!”. Aquele 25 de Abril de 1974 foi, sem dúvida, o melhor dia das vidas de muitos portugueses.
É de salientar o importantíssimo papel do Dr. Mário Soares e, consequentemente, do Partido Socialista na definição da estabilidade democrática, assente num conceito de democracia pluripartidária, conseguida após o denominado Verão Quente de 1975, quando em 25 de Novembro desse mesmo ano, o general Ramalho Eanes assume o comando do Estado-Maior do Exercito. Fruto de uma relação de dependência existente, nesta época, entre os países da Europa, Portugal parte para a União Europeia por ideia do Dr. Mário Soares e iniciativa do Partido Socialista, entrando para o núcleo duro dos países desenvolvidos da União Europeia. Torna-se, assim, claro, que o Partido Socialista é o partido da Europa, merecendo, por isso, e por todo o trabalho que vem realizando até hoje, no caso dos Açores, pelo Dr. Paulo Casaca, nos últimos cinco anos, a confiança dos Portugueses nas eleições europeias de Junho.
É ao reconhecer o enorme esforço, coragem e esperança destes revolucionários que lutaram, sem medo, por este país, que grito “Não deixem morrer Portugal!!!”.