O palácio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota e armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
Antero de Quental, Sonetos Completos
Satirizar
sexta-feira, junho 11, 2004
A um poeta
Surge e ambula!
Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levite à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,
Acorda! é tempo! O som, já alto e pleno,
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-se pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!
Antero de Quental,Odes Modernas
Surge e ambula!
Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levite à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,
Acorda! é tempo! O som, já alto e pleno,
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-se pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!
Antero de Quental,Odes Modernas
quinta-feira, junho 10, 2004
Ser…
Ser tudo ou não ser nada,
Questiono-me eternamente
No mais intimo ser ou não ser
Que é o meu ser.
Sinto o surgir de um novo ciclo
No interior deste pedaço carnal
Que tudo envolve em ser tudo
Do que nada sabe ser.
O esforço de atingir o mais ínfimo
Impossível da razão a alcançar,
Nasce do fundo das minhas vísceras
Que se dilatam na descoberta do eu.
Afinal, serei eu mais do que isto,
Isto que me abrange, mas que me
Liberta, deixando um vazio nas
Profundezas de minh’alma?
Guido Teles
Ser tudo ou não ser nada,
Questiono-me eternamente
No mais intimo ser ou não ser
Que é o meu ser.
Sinto o surgir de um novo ciclo
No interior deste pedaço carnal
Que tudo envolve em ser tudo
Do que nada sabe ser.
O esforço de atingir o mais ínfimo
Impossível da razão a alcançar,
Nasce do fundo das minhas vísceras
Que se dilatam na descoberta do eu.
Afinal, serei eu mais do que isto,
Isto que me abrange, mas que me
Liberta, deixando um vazio nas
Profundezas de minh’alma?
Guido Teles
